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title Jesus como Deus Universal
chapter 7

Jesus como Deus Universal

A Multidão Incontável

Em contraste com a exclusividade étnica e territorial do sistema veterotestamentário, a Revelação apresenta a multidão redimida em termos radicalmente universais:

"Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos" (Ap 7:9).

A quádrupla designação — nações (ethnōn), tribos (phylōn), povos (laōn), línguas (glōssōn) — enfatiza a totalidade da diversidade humana. Não há categoria étnica ou linguística excluída da assembleia redimida.

Esse universalismo não é acréscimo tardio ao plano divino; é sua intenção original, agora revelada plenamente. A promessa a Abraão já continha semente universalista:

"Em ti serão benditas todas as famílias da terra" (Gn 12:3).

Contudo, o desenvolvimento histórico do sistema israelita tendeu a interpretar essa promessa em termos de submissão das nações a Israel, não de participação igualitária das nações na bênção. Os profetas ocasionalmente recuperavam a visão universalista:

"E acontecerá nos últimos dias que o monte da casa de YHWH será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e concorrerão a ele todas as nações" (Is 2:2).

Mas a tensão entre particularismo e universalismo permaneceu não resolvida até Cristo.

A Nova Jerusalém e o Tabernáculo Universal

A consumação da Revelação não é restauração do sistema veterotestamentário, mas sua superação radical:

"E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram... E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará" (Ap 21:1-3).

Note-se: o tabernáculo não está mais restrito a um povo ou lugar. Deus habita com os homens (meta tōn anthrōpōn) — termo genérico para humanidade, não etnônimo específico.

Mais significativamente, a Nova Jerusalém não possui templo:

"E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro" (Ap 21:22).

A ausência de templo não é lacuna; é plenitude. O templo existe quando a presença divina requer mediação arquitetônica e sacerdotal. Quando Deus habita diretamente com os homens e o Cordeiro é o templo, toda estrutura mediadora torna-se obsoleta.

O Amor Universal de Deus

O evangelho joanino expressa o fundamento do universalismo cristológico:

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16).

O objeto do amor divino é kosmoso mundo, não Israel; a humanidade, não uma etnia. O alcance da oferta é "todo aquele que nele crê" — condição de fé, não de nascimento ou circuncisão.

Essa universalidade está em tensão com textos veterotestamentários que enfatizam eleição particular:

"Porque tu és povo santo a YHWH teu Deus; YHWH teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7:6).

A tensão não se resolve negando um dos polos, mas reconhecendo que a eleição particular era instrumental, não final. Israel foi escolhido não como fim em si mesmo, mas como meio para bênção universal — meio que, na perspectiva da Revelação, foi frequentemente distorcido em orgulho exclusivista e opressão religiosa.


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