| title | O Engano Religioso Global |
|---|---|
| chapter | 3 |
A Revelação apresenta o engano não como fenômeno periférico ou exclusivamente pagão, mas como realidade global e sistêmica:
"E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama Diabo e Satanás, que engana todo o mundo" (Ap 12:9).
A expressão grega tēn oikoumenēn holēn (τὴν οἰκουμένην ὅλην) — "todo o mundo habitado", "toda a terra habitada" — indica universalidade. O engano não se limita a uma região, cultura ou sistema religioso específico; ele permeia toda a humanidade.
Essa universalidade do engano tem implicação metodológica crucial: se o dragão engana todo o mundo, então nenhum sistema religioso está automaticamente isento do engano. A presunção de estar fora do engano é, ela própria, potencialmente parte do engano.
A identificação do dragão como "a antiga serpente" (ho ophis ho archaios) estabelece conexão direta com Gênesis 3, onde a serpente engana Eva através de distorção da palavra divina. O padrão do engano original não era negação frontal, mas reinterpretação:
"É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?" (Gn 3:1).
A pergunta introduz dúvida sobre o conteúdo exato da instrução divina. A estratégia do engano é hermenêutica: não destruir a palavra, mas retorcê-la.
← Anterior: A Identidade de Jesus vs YHWH | Próximo: As Bestas de Apocalipse 13 →